Mostrar mensagens com a etiqueta crescer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crescer. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de novembro de 2008

Parêntesis

O que aqui vai crescendo é da tua responsabilidade. Quando os sonhos deixarem de o ser, vão ficar pendurados no frigorífico, junto aos desenhos dos miúdos. Na lista de compras falta sempre qualquer coisa, mesmo que em casa não falte nada. As viagens ao supermercado são sempre motivo de festa: medem-se os desejos de um e de outro, à espera que batam certo. Pousam-se os sacos no chão, cheios de ternura e vontade, e conta-se o dinheiro que sobrou. Podemos ir jantar fora hoje, é melhor aproveitarmos. (Veste o casaco que está frio. Vá lá, agasalha-te bem, que não quero cá constipações.) O elevador volta vazio, para que só roubemos espaço ao ar. Na rua, a chuva já se calou, mas tu abraças-me para que nem a mais ínfima gota nos separe. (Anda cá, que tenho saudades tuas.) O restaurante é pequeno, feito à medida do nosso bolso. A luz é amarela e pesada, mas aquele calor aproxima-nos do futuro. (Gosto do teu sorriso assim feliz.) Os dedos entrelaçados em cima da mesa, como antigamente, derretem o que ainda me resta de sobriedade. (Quero ficar contigo.) Da doçura que há em ti transbordam recortes e fotografias de momentos que ainda não existiram. Deixas-me escolher a pizza e a sobremesa, correndo riscos desnecessários, e fazes-me acreditar que o amor ainda é possível. Para sempre, como sempre vimos, de olhos fechados, enquanto dormíamos.