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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

#20

O problema das declarações de amor, ou de qualquer outra intenção, é que às vezes são mesmo verdade. A mania que as pessoas têm de traduzir o que sentem por palavras define grande parte do que somos, nem que seja pela doçura que imprimimos nas frases com que confrontamos o outro lado. É sempre melhor quando a ternura invade o que queremos dizer, mesmo que queiramos definir novas tragédias. No fim do dia, os poemas parecem sempre mais bonitos quando não é a nossa mão que os escreve.


domingo, 20 de setembro de 2009

Reconhecimento

Tenho poemas cheios de ti nos meus cadernos, mas não sei se te consigo dizer. Existes a tropeçar nas esquinas dos meus dias sem nunca fazeres barulho. Não há som em ti que não seja um qualquer ressonar matinal. Juro que tirei os tampões dos ouvidos, só para sentir um pedaço da tua voz, mas acho que o stock esgotou. E eu vim só por tua causa. Se bem que, para ti, me mantenho matéria invisível, feita confusão eterna.

Nunca te soube entender. Para ti o mundo sempre foi uma convulsão indeterminada da parvoíce dos outros. E tu não estás para aturar parvoíces. A tua paciência resvala para um compromisso que não queres aceitar. Por favor, define-te. Páginas e páginas em branco no teu diário, porque nunca soubeste escrever o universo que há em ti. Não sabes quem és. Nem sequer se és alguém. Por enquanto, és aquela explosão que nunca aconteceu, porque ninguém estava lá para ver.

E tu precisas que olhem para ti.

sábado, 27 de setembro de 2008

Poema #3

Ternura e dormência...
Shhh.
Deitada na cama, à espera
que chegue mais um minuto,
segundo,
instante...
Um qualquer pedaço de tempo,
preciso ou impreciso,
que a atire para o fundo
de tudo.

Uma palavra perdida
rebola
pelas escadas abaixo.

Que forma verbal
tão esquecida
daquele verbo irreflectido.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Poema #2

O poema que dorme ali
já não quer ser lido.
As palavras crescem
feitas de fado e melodia
à espera que as ouças esta noite.





«Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que ele
não te coubesse no dedo.»
Jorge de Sousa Braga

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Poema #1

Olha e admira.
Existe para lá do que vês
E sonha,
que a eternidade às vezes
não dura para sempre...



São pedaços de sonho o que se empilha à minha volta.