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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Promessas

O Pai escolheu a música que se ouve hoje. Um senhor de voz grave recita fados de outros tempos, daqueles em que a juventude não era apenas uma palavra que ele gostava que lhe assentasse bem. Sabe que a Mãe se derrete com as palavras que ali se vão cantando, e com a guitarra portuguesa que serve para que os miúdos aprendam a amar a poesia. Ao fim de tantos anos, ainda há a vontade de a agradar, a vontade de a fazer sorrir e suspirar e de a saber feliz porque ainda estão juntos. A verdade é que, quando os filhos chegaram, também chegou o medo de que a vida se tornasse só dos mais novos, que o amor que sempre fora de um e de outro deixasse de existir pelo amor aos pequenos. Havia sempre uma certa dose de ingenuidade naquela construção familiar, que a Mãe nunca acreditava ser possível amar o mundo inteiro ao mesmo tempo, mesmo sabendo que era ela quem mais pessoas amava. E essa ingenuidade possessiva que lhe polvilhava os dias cultivava-se através da carência afectiva que a caracterizava e que toda a gente teimava em querer colmatar. Nunca se percebeu se era essa a atitude mais sensata de ser tomada, mas havia sempre uma necessidade de fazer com que ela se sentisse amada - incondicionalmente. Por isso é que era tão importante dar-lhe a mão a cada minuto que passava ao seu lado, que havia sempre aquela ideia de que um dia ele podia partir.
Ele nunca partiu. Prometeu que ia ficar com ela para sempre e queria cumprir a promessa. Fazia parte dos objectivos de vida, juntamente com a educação dos pequenos. Queria fazer parte daquela família perfeita que se tinha desfeito algures pelo caminho, construí-la de volta com as suas próprias mãos e partilhá-la com aquela pessoa, como convém. Encontrou-a nas férias, numa praia qualquer. E ela estava lá desde sempre, quase como se estivesse à espera que fossem suficientemente crescidos para se entregarem assim. No dia em que se tornaram realmente novidades na vida um do outro, não houve nada que mudasse realmente. O que os tornou tão apaixonados e eternos foi a rotina que foram edificando, de forma descontinuada, em contra-tempo, quase como se fosse reggae (ou jazz, que o único reggae que ela gosta é na verdade dub). Os chocolates, os bolos e os gelados que foram comendo ao longo dos anos, para que o açúcar se entranhasse na personalidade de cada um.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Férias

Estou viva.
Estou em Portugal.
Tenho dois trabalhos para entregar.
Mas estou de férias!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

1 semana depois...

...fui passar o fim-de-semana a Portugal, só mesmo porque a Sara é uma chata e queria pastéis de nata a sério. Até porque ela é lá do norte e não sabe o que é um pastel de nata a sério, convém educar-lhe o paladar. Cheguei a Lisboa pelas 18h30 (gosto tanto de atrasos nos vôos) com a mamã e o Pedro à espera no aeroporto. Pela primeira vez, vi a cidade de cima. Continua bonita, cheia de sol e encostada ao rio. Encontrei a Ponte, o Castelo, a faculdade, o Campo Pequeno... Os sítios de sempre, na cidade que continua a ser dona do meu coração.

Na verdade, fui a Portugal para andar de vestido, salto alto e cabelo arranjado, fazer parte de uma daquelas celebrações de amores que se querem eternos. Mas ele não sabia que eu ia, o que deu muito mais piada à coisa. Enganei ligeiramente a saudade acumulada, mesmo que tenha sido já na recta final. E soube tão bem.

Nos entretantos, amanhã vou pôr a Sara na mochila e vamos as duas para Londres e 5ªfeira para Itália. Passear e ter descanso depois de um semestre cheio de trabalho. Ver as Martas e a Maria Joana assim de fugida, e preparar-me para voltar àquela que é realmente a minha casa. Faltam 2 semanas para o regresso definitivo, vou sprintar até ao fim. Oh YEAH!