quarta-feira, 29 de agosto de 2012

#16

Entre os telhados e os barcos da Transtejo lá ao fundo, a paisagem desenhava-se igual à dos postais mais bonitos da cidade. No topo do Hotel Mundial, respiravam-se os restos da Lisboa que sobrava depois das passeatas sem fim, que subir ao Alto da Graça ou as escadas do Metro é quase a mesma coisa. Nos intervalos da banda sonora oficial do fim de Verão, as palavras entaladas pelos anos que tinham ficado pelo caminho teimavam em atropelar-se. Não que fossem diferentes de tudo o que já se tinha dito até então. O que tinha mudado era a conjuntura, o contexto, o cenário dos acontecimentos. Tal e qual uma aula de História. Encostada ao acrílico que separava o chão da vertigem, parecia-lhe tudo demasiado estático no meio de toda a desordem. Por aquela altura, o gelo da sua super snobe água gaseificada com aroma a limão tinha derretido e começavam a doer-lhe os pés, por causa dos sapatos. Aquela coisa de mostrar a perna nunca tinha sido o seu forte. Ainda assim, manteve a postura só para continuar a conversa. Afinal, os recomeços são quase todos iguais, embora a bebida vá mudando conforme as pessoas. 

Fotografia licenciada em Creative Commons

2 comentários:

T. disse...

yop, os recomeços são quase todos iguais.

já há uns tempos que não te lia. gostei de voltar. :)

C. disse...

Rute, escreve um romance :') <3