quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sonhos como esquinas, como livros

Dobram-se e desdobram-se os sonhos como se fossem esquinas. Como se fossem os cantos de um livro demasiado lido para se guardar na prateleira. Mas nunca se viram as páginas, com medo do capítulo que vem a seguir. Fechar os olhos e fingir que não se sabe ler. Só porque não se quer.

"Lembro Novembro passado,
quando os dias eram curtos
e as noites de fado
rasgado, cantado, sentido.
No Deus que criámos
aprendemos a viver de cor, meu amor...
E agora, é hora e tudo fica por fazer.

Quero-te dizer mais uma vez que te amo,
talvez, te quero, te espero e desespero por ti,
e que isso só por si me chega p'ra viver,
mesmo quando só houver:
Silêncio...
Imenso..
e dor...
E pior, meu amor,
a lembrança que descansa:
os olhos teus nos meus..."

Pedro Abrunhosa - É Preciso Ter Calma

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Updates do costume...

Estou viva e com a vida em modo stand-by. Waiting for that call, waiting for that call...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

desapego
s. m.
1. Facilidade em deixar aquilo a que se tinha apego.
2. Indiferença, desinteresse.

desapegar
v. tr.
1. Despegar.
2. Fazer perder a afeição a.
v. pron.
3. Perder a afeição a.
4. Perder o interesse, o empenho por.
5. Largar; soltar-se; desagarrar-se.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Hoje #7

Hoje recebi um e-mail de alguém importante, que leu um texto meu e gostou.

Hoje foi publicada a minha participação no Calendário do Advento de Netaudio da Phlow Magazine.

Hoje tive direito a beijinhos aconchegados e abraços de corpo inteiro.

Hoje foi um dia bom.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Escadas Rolantes e Luzes de Natal

As luzes de natal estão sempre nos mesmos sítios, à espera do cheiro das castanhas assadas, e o frio aperta no meio do Rossio. Os turistas vivem como eu, atabalhoados entre tentativas de entendimento com o senhor do café. Querem um pastel de nata. Eu quero uma bola de Berlim, com creme. Lá fora, anda tudo de sacos na mão, aos tropeções, para chegarem ao metro mais depressa (que não deve haver outro que venha a seguir, parece). Na estação, estão três encostados à parede. Pedem esmola, como quem pede um copo de água, mas as moedas nunca caem na lata. Ouve-se um acordeão e a voz de uma velhota que se deixou perder no tempo. Há sempre um certo tom de "portuguesice" que nunca consigo alcançar. Nas palavras, que são tantas e tão poucas, procuro a poesia e aquele pedaço de fado que ainda ninguém soube cantar. Do que é português, só resiste a língua em que falo, que até o alcatrão prefiro às pedras da calçada.
Descemos as escadas rolantes para que não te canses mais do que é preciso. Que a unidade do teu ser é desconstruída à medida que sobes ou desces desnecessariamente. Ficas no degrau por cima do meu, para que me consigas beijar sem te esticares demasiado. E eu permaneço quieto, a olhar à minha volta, como se nada fosse, simplesmente à espera que isso aconteça.

(imagem de LusoFox)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sonhos Entalados e Pontos de Interrogação


Entalaram-me os sonhos como se me entalassem uma mão inteira. E penduraram meia dúzia de pontos de interrogação na pontas dos dedos, meia dúzia de enfeites para alegrar esta altura do Natal. Aquela curva enjoa-me. Apetece-me chutar aquela bola para bem longe. Aqui não há espaço para dúvidas, ouviram? Não há espaço para pontos curvados que só trazem confusão. Ou sim ou sopas! Gostava de sonhar outra vez, gostava. Mas o entalanço entupiu a porta de saída e assim não há sonho que consiga entrar. Só pontos de interrogação, que esses são manhosos e dobram-se para se conseguirem intrometer onde quer que seja. Não sei para onde me virar. Nem em que é que vale a pena acreditar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Contar peixinhos...

Sento-me hoje à beira do mesmo rio. Sim, aquele onde nos sentámos durante anos a fio, de mãos dadas, a sorrir e contar peixinhos. Mas isso foi quando o tempo corria à nossa frente, verões antes de ficares doente. Agora, o tempo rasteja à minha volta. Olho para a água e continua parada, à espera que o vento sopre.
Estou velha, meu amor. As mãos tremem-me e o cabelo branco pesa quase tanto com a idade que carrego. Gostava de respirar e conseguir sentir a frescura deste campo. Mas agora já quase nem isso consigo imaginar. Para tudo o que olho encontro uma memória de ti. Tudo o que passa por mim traz uma fotografia tua consigo, um retalho do passado que deixámos atrás de nós.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Canção #9

«We're caught in a trap
And I can't walk out until
I collect the missing clues
It's you, it's you
And I worked to make it work
And I let myself get hurt
And kept sinking deep in you

All of my friends keep telling me that
"There's nothing to it"
But if this is love, it ain't enough
And I can't go through with it can't
keep it up
We're at the party, they're playing the songs
And we're right here
But we never get to dance

We just sit and stare

You won't love me when I'm older
You always settle for the thrill
And while you sit there drinking water
"You cruel, careless man"
I'm trying hard to swim

I've sorted it out
Like they say "you know... love burns"
Like most good things do..
But then it's you:
It's you on my window, it's you on hallway
It's you on the rearview mirror talking
It's you on the radio in all the songs we've been through...

But you won't love me when I'm older
You always settle for the thrill
And while you sit there drinking water
"You cruel, careless man"
I'm trying hard to swim

Trying hard to swim

You won't love me when I'm older
You always settle for the thrill
So go ahead and choke on water
"You cruel, careless man"
You will end where I begin...»

David Fonseca - Swim II

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Inversão do sujeito...


Tinha sido ele a notar que estava tudo como sempre tinha sido, que o tempo passava e que os sonhos se mantinham intactos e por realizar. Já não era altura de sonhar. Eram adultos: era a altura de realizarem os sonhos, um por um, como se não houvesse mais nada a fazer. Queria amar a mulher que os tinha desenhado ao seu lado, mas a sua doçura estava transformada em simpatia e isso não chegava para montar sonhos de uma vida inteira.
Por isso, nesse dia, disse-lhe que precisava que ela voltasse. Que precisava dela, ponto. Que não a conseguia encontrar por detrás do seu sorriso e que já nada fazia sentido assim. Ela respondeu, por entre fios de arrogância, que estava igual ao que sempre fora. O medo de lhe faltar era tanto que a teimosia se dissolveu no pouco que ainda sobrava para dizer – tinha de ter razão, como em todas as outras ocasiões, que o importante era que ele visse que ainda ali estava, como sempre estivera, mesmo que ele não visse. O problema nunca poderia ser ela, não fosse haver o risco de ele deixar de gostar de si por toda a sua imperfeição. Mas, desta vez, o problema era dos dois, só que ela insistia em manter os olhos fechados.

domingo, 22 de novembro de 2009

Os dias passam como o amor que tenho por ti. De cada vez que o sol nasce, sinto que te amo. De cada vez que o sol se põe, sinto que não te sei chegar. Tenho medo de não saber existir sem a rotina que te inclui, mas não gosto de ficar com o que sobra de ti - que só te dás quando já não tens mais nada a que te entregar. No teu universo existe tempo, dinheiro e vontade para respirares qualquer mundo, a qualquer instante, desde que não seja o meu, que esse é garantido e pode ficar para o fim da lista. Mas não há dia em que eu não te ponha em primeiro lugar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Querido Pai Natal #2


Já agora, se me pudesses trazer este, também agradecia... Desbloqueado, de preferência.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Querido Pai Natal...

Posso fingir que sou criança e pedir-te uma Nintendo DSi como se fosse normal? É que eu queria tanto poder jogar Pokémon (e Lego Rock Band!!) no comboio, a caminho do estágio, e não posso, porque o meu irmão sumiu com o meu Game Boy Color. Além disso, eu já espreitei para o jogo do outro irmão e é muito mais giro que o meu. Oh, vá lá...

domingo, 15 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Valor

Com o tempo aprendi que os grandes recortes literários só se tornam grandes com a idade. Na literatura, como em tudo na vida, o valor que é dado ao que fazemos não existe senão no reconhecimento dos outros. Habituámo-nos a medir o que valemos pelos olhos dos outros, porque nunca chegamos para as nossas próprias expectativas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O amor e a escola

O amor é como a escola: a avaliação é contínua, mas se chumbarmos no exame as probabilidades de ficar para trás são muito maiores.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Chatice

O bom de não vermos uma pessoa todos os dias prende-se com a chatice - quando nos chateamos com ela, sabe bem não ter de lhe ver a cara no dia seguinte.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

E-mails...

«Nunca devemos dizer 'Amo-te', a menos que seja mesmo verdade. Mas se é mesmo verdade, devemos dizer muitas vezes. As pessoas esquecem-se.»

Jessica, 8 anos

domingo, 1 de novembro de 2009

Não sei...

Não é que não haja nada para escrever, mas não tem havido vontade. E, quando falta a vontade, é como se não existisse mais nada. Os dias têm corrido depressa. Tão depressa, que não sei como ainda não tropecei em nenhum deles. O tempo é pouco, mas tem de dar para quase tudo. Naturalmente, estou cansada.

No fundo, o problema é que simplesmente não sei.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Update

Só para que conste: não, ainda não morri.

Já arranjei estágio, estou a ter aulas à noite dois dias por semana e, por enquanto, sobrevivo.

Um dia destes, quando o sono já não me massacrar tanto, dou cá um saltinho decente.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dúvidas

De repente, os sonhos e as expectativas de sempre estão aqui à minha frente. Intactos. Inalterados. Completamente iguais ao que eram antes de os trancar numa gaveta. Mas, agora, o que é que faço com eles?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Algodão Não Engana

Quando acordou, era o Pacotes: verme de existência, pessonhento, vil e desgarrado. Ou agarrado. Agarrado a tudo o que se quer de mau a correr pelas veias. De olhos abertos ou fechados, não havia poesia nos momentos que se atropelavam à sua frente. Tudo era prosa. Palavra dura. Crua. Genial por ser tão despida. Pedaços de quem respira já quase somente porque sim. A voz calma e serena, polida pelo tabaco que é sempre tão pouco dentro do maço, desenha as histórias relutantes. Não há espaço para decoro. Aqui há droga, e sexo, e maldade. Não importa. Aqui o calão soa a erudito. E tudo, tudo é uma ode ao que é feio. Ao que não merece versos, mas continua a ser verdade. Porque o pó fica sempre em cima dos móveis, à espera que alguém o limpe. Em cima de nós, à espera de sermos lavados com algodão e água oxigenada. O algodão não engana e pode ser descarregado aqui.



"Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?"

Pacotes - Poema em Linha Recta
(numa adaptação livre de Álvaro de Campos)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Canção #8

"Se já não lembras como foi,
Se já esqueceste o meu amor,
O amor que dei e que tirei
(Não queria lamentar depois)

Mas uma coisa é certa eu sei:
Não tive nunca amor maior...
E ainda vivo o que te dei,
Ainda sei quanto te amei,
Ainda desejo o teu amor.

Não tenho esperança de te ver...
Não sei amor onde andarás...
Pergunto o todo o que te vê
E nunca sei como é que estás...

Agora diz-me o que farei
Com a lembrança deste amor
Diz-me tu, que eu nunca sei,
Se voltarei ou não para ti,
Se ainda quero o que sonhei..."

Madredeus - Fado das Dúvidas

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Guardam-se os sonhos no frigorífico, para que nenhum se estrague. Fecha-se o frigorífico com correntes e cadeados, e perdem-se as chaves, para não haver o risco de o abrir.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Há dias assim...

Há dias de confusão. Queremos andar para a frente, mas só conseguimos olhar para trás. Queremos que o mundo mude, mas não o conseguimos mudar sozinho. Queremos estar lá, mas já não nos deixam.

domingo, 20 de setembro de 2009

Reconhecimento

Tenho poemas cheios de ti nos meus cadernos, mas não sei se te consigo dizer. Existes a tropeçar nas esquinas dos meus dias sem nunca fazeres barulho. Não há som em ti que não seja um qualquer ressonar matinal. Juro que tirei os tampões dos ouvidos, só para sentir um pedaço da tua voz, mas acho que o stock esgotou. E eu vim só por tua causa. Se bem que, para ti, me mantenho matéria invisível, feita confusão eterna.

Nunca te soube entender. Para ti o mundo sempre foi uma convulsão indeterminada da parvoíce dos outros. E tu não estás para aturar parvoíces. A tua paciência resvala para um compromisso que não queres aceitar. Por favor, define-te. Páginas e páginas em branco no teu diário, porque nunca soubeste escrever o universo que há em ti. Não sabes quem és. Nem sequer se és alguém. Por enquanto, és aquela explosão que nunca aconteceu, porque ninguém estava lá para ver.

E tu precisas que olhem para ti.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sabemos que não há pessoas perfeitas, mas queremos sempre ser a perfeição para alguém.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Melhorias

Enquanto começo lentamente a entrar em desespero por ninguém me recrutar para estágio, as oportunidades de actividades paralelas e do meu agrado vão surgindo. O Marca Branca volta em Outubro, tanto na Zero como na espanhola Filispim. E como o netaudio é todo um imenso universo de experiências mediáticas digitais (que bonito, hein?), sou agora colaboradora da Phlow Magazine (daí o logo gigante que apareceu aqui na barra do lado), uma revista online (leia-se, webzine) de referência dedicada ao netaudio. Apesar da minha biografia ainda não estar online, o primeiro artigo já lá está e pode ser lido aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

140 posts depois..

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O meu blog faz 1 ano. Está crescido e, melhor ou pior, tornou-se um pequeno orgulho.
Fico à espera do bolo e dos beijinhos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Somos a rotina que deixamos existir à nossa volta. E o amor é como a rotina, só uma questão de hábito.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Regresso

O problema do regresso é que o que deixamos à nossa espera raramente é o que temos de volta. O que mudamos com as viagens, mudam os outros com a espera. As certezas mantêm-se, mas as rotinas deixam de existir. E o coração, que é de vidro, ou de cristal, ou de outra coisa qualquer que quebra à tua passagem, estala à espera do dia em que o vais partir.

Quanto mais o partires, mais peças vais ter de montar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Férias

Estou viva.
Estou em Portugal.
Tenho dois trabalhos para entregar.
Mas estou de férias!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Como enviar a sua bagagem numa caixa de bananas

1. Certifique-se que procura por uma caixa grande durante mais de 2 horas pela sua cidade.

2. Como medida de desespero, entre no supermercado mais próximo de sua casa e pergunte gentilmente ao empregado de reposição se ele tem uma caixa grande que lhe possa dispensar.

3. Percorra o caminho até casa com o sentimento de orgulho por ter conseguido uma caixa maior do que a que já tinha em casa.

4. Crie um fundo e um topo para a sua caixa, recorrendo a restos de cartão guardados só "porque um dia podiam ser precisos para qualquer coisa".

5. Tape também os círculos que servem para as bananas respirarem, que a bagagem gosta de asfixiar.

6. Utilize fita-cola castanha para os passos 4 e 5.

7. Encha a caixa até onde o bom senso, e o espaço, lhe permitirem.

8. Verifique se cabe lá mais qualquer coisinha.

9. Feche a caixa e envolva-a em valentes doses de fita-cola castanha, de maneira a torná-la mais resistente.

10. Reze para que não tenha mais de 10kg, senão vai ter de pagar mais na DHL.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Londres e Bologna

Nota: O teclado onde estou a escrever nao possui qualquer sinal de acentuacao grafica nem cedilhas, pelo que algumas coisas poderao soar meio estranhas).

Aterramos em Londres na 3feira as 21h20, hora local, depois de um ultimo dia de aulas meio extenuante. Apanhamos o Shuttle do aeroporto de Stansted para o centro da cidade, e disseram-nos que se saissemos em Marble Arch estariamos realmente perto do nosso hostel, pelo que so seria necessario andar um bocadinho. Os meus pais disseram-me para nunca confiar em pessoas estranhas, e agora percebo porque. De facto, Marble Arch era perto da rua do hostel, mas o hostel era na outra ponta. Andamos 45 minutos na noite de Londres, de malas atras, ate a magnifica espelunca onde dormimos ate 5feira. Quando digo espelunca, estou a ser realmente simpatica.

No dia seguinte, conseguimos ver quase todos os pontos principais da cidade (sem entrar em nada, porque nao havia nem tempo nem dinheiro), numa maratona de para ai mais de 12 horas de passeios a pe e de metro, claro. Tower of London, Tower Bridge, London Bridge, The Monument, Big Ben, Houses of Parliament, Trafalgar Square, Piccadilly Circus, Chinatown, Soho, King's Cross e a Plataforma 9 e 3/4, Kensigton Gardens... No dia seguinte, Camden Market e Buckingham Palace de malas atras e toda uma saga ate Bologna.







O Shuttle que queriamos apanhar (15h) para o aeroporto de Stansted saiu com 7 minutos de avanco, o shuttle seguinte nao apareceu, e demoramos mais de umas hora para sair do centro de Londres. Chegamos la, ajeitamos as nossas malas, de acordo com aquelas regras (nada chatas) de transportes de liquidos e afins e metemo-nos na fila do controlo de seguranca. Supostamente, o nosso portao de embarque fechava as 18h15 e nos ainda estavamos a passar no raio-x. Corremos pela vida ate ao portao 45 (na ponta oposta do aeroporto) e, afinal, o aviao ainda nem sequer tinha chegado. Depois, aterramos em Milao-Bergamo, ja com os bilhetes do shuttle para a estacao central de milao comprados (10 euros gastos no aviao). Mas ele saiu 5 minutos antes de nos chegarmos, e nos nao tinhamos meia-hora para esperar. Pagamos mais 9euros, e la conseguimos ir para Milao na esperanca de apanharmos o comboio para Bologna. Voltamos a correr pela vida e la conseguimos apanhar o comboio. 2h37 chegamos a Bologna com a Peko a nossa espera na estacao.

Matar saudades da Martinha, da Peko e da Maria Joana, conhecer pessoas novas, conseguir dormir 8 horas seguidas como deve ser e estar num sitio estranho onde nao me sinto completamente perdida e reconheco feitios e culturas. Agora sim, estou de ferias!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

1 semana depois...

...fui passar o fim-de-semana a Portugal, só mesmo porque a Sara é uma chata e queria pastéis de nata a sério. Até porque ela é lá do norte e não sabe o que é um pastel de nata a sério, convém educar-lhe o paladar. Cheguei a Lisboa pelas 18h30 (gosto tanto de atrasos nos vôos) com a mamã e o Pedro à espera no aeroporto. Pela primeira vez, vi a cidade de cima. Continua bonita, cheia de sol e encostada ao rio. Encontrei a Ponte, o Castelo, a faculdade, o Campo Pequeno... Os sítios de sempre, na cidade que continua a ser dona do meu coração.

Na verdade, fui a Portugal para andar de vestido, salto alto e cabelo arranjado, fazer parte de uma daquelas celebrações de amores que se querem eternos. Mas ele não sabia que eu ia, o que deu muito mais piada à coisa. Enganei ligeiramente a saudade acumulada, mesmo que tenha sido já na recta final. E soube tão bem.

Nos entretantos, amanhã vou pôr a Sara na mochila e vamos as duas para Londres e 5ªfeira para Itália. Passear e ter descanso depois de um semestre cheio de trabalho. Ver as Martas e a Maria Joana assim de fugida, e preparar-me para voltar àquela que é realmente a minha casa. Faltam 2 semanas para o regresso definitivo, vou sprintar até ao fim. Oh YEAH!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dedicação

"Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio - nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência."

Inês Pedrosa in "Fazes-me Falta"


Respeito, amor e dedicação.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Paredes

Faltam 3 semanas e uns dias, menos de um mês. Foram 3 meses e quase meio, vão ser 4 meses e quase meio. A viagem está a chegar ao fim e eu nem dei conta de ver o tempo passar. Colei a saudade nas paredes do meu quarto, e uma placa a dizer Lisboa, para que nunca esquecesse o caminho. Invariavelmente, acabei por perceber que nunca esquecemos o caminho de volta ao que amamos. Mas descobri-me na ordem alemã e na chuva que, apesar de continuar a irritar, já não me incomoda assim tanto. Aprendi que os comboios não têm de fazer barulho e que uma cidade não tem de respirar caos, nem desarrumação. Aqui, a única coisa desarrumada é o meu quarto, porque é meu, porque quis que a minha cidade viesse comigo. Mas lá fora nunca dá para ver o Tejo, nem cheira a peixe fresco grelhado. O Castelo também não dorme por cima da colina, que aqui tudo é plano, e as árvores crescem espaçadas e ligeiras - amontoam-se: altas, verdes, frondosas. De vez em quando, lá aparece o sol para me lembrar que há coisas que não mudam assim tanto, mas essa mania que ele tem de acordar muito mais cedo aqui é só mais um eco da preguiça do meu Alentejo, onde a madrugada nasce 2 horas e meia mais tarde.






É que, no final do dia, as gargalhadas que ouço lá fora nunca são as que preciso de ouvir. Faltam os sorrisos e os abraços de sempre, a segurança de alguém que nos entende muito mais do que língua em que falamos.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Mais uma vez o tempo...

Estamos a dia 23 de Junho, pleno Verão, e eu vou sair de casa de cachecol. Só para que conste.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Acho que tenho uma tendinite... Estive a pesquisar e a receita é "repouso e fisioterapia"... Algo impossível dadas as circunstâncias... Estou lixada, e isto dói mesmo!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Higiene Comparativa

Quando cheguei a Shan tinha a sua embalagem de detergente de lavar a loiça a meio. No entanto, o meu, que foi comprado na altura (há 3 meses), vai acabar primeiro.

Comprámos um gel de banho ao mesmo tempo. Mesma marca, mesma quantidade. O dela está a acabar agora, eu já estou a acabar o 2ºfrasco depois de ter acabado o tal.

Desde que cheguei já gastei 3 tubos de pasta de dentes. O dela nunca foi trocado.

Só vi a frigideira ser lavada 2 vezes. Com água fria.

Somos asseadas, portanto.

Saudades Meteorológicas

Saudades de ver o céu sem uma única nuvem, de ver o sol dias a fio, de não ter de andar permanentemente com chapéu-de-chuva na mochila.

sábado, 13 de junho de 2009

Fado

Nos meus últimos dias de Lisboa, apaixonei-me pelo Fado. O rio cantou-me de mansinho e eu deixei que se instalasse, por meio de ruas sujas e estreitas encosta acima, por entre conversas de olhos abertos para a multidão. No ínicio, eram só pedaços de poemas, frases escritas com uma guitarra que eu não sabia ler. Mas as melodias escorregaram em mim, como se só aquela poesia fosse verdade. As vozes tremidas que se ouvem de Alfama à Mouraria transpiram de saudade. Que dentro do Fado cabe só a cidade que deixei à minha espera, sempre cheia de sonhos e esperança suada.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Chuva

Com o que chove lá fora, quase que estou capaz de jurar que, daqui a nada, o Noé passa ali com a sua Arca.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Só porque convém actualizar...

Fui passar o fim-de-semana a Berlin (brutal, Brutal, BRUTAL) com o Papá e com a Maria. Domingo à tarde viemos para Leipzig. 2ªfeira passeámos por aqui e ontem voltei às aulas. Hoje cheguei a casa e desintegrei-me de cansaço em cima da cama, que não durmo nada de jeito há umas 2 semanas, sendo que nos últimos dias andei quilómetros e quilómetros e subi mais degraus do que uma maratona de step.


Nos entretantos, comecei a a ler o «Equador» para a minha fantástica cadeira de literatura portuguesa leccionada em alemão. Vou na página 83 (são 518) e o que me apraz dizer neste momento é: ainda bem que o Miguel Sousa Tavares leu «Os Maias» algures durante a sua vida, já que me sinto a ler o segundo a cada palavra do primeiro. E por muito lisonjeiro que isso possa parecer, não é. Não que o senhor MST escreva mal, que não escreve, mas isto parece-me tão leve e previsível, e, ao mesmo tempo, tão desenhado à semelhança do querido Eça (num plágio de estilo demasiado notório e ainda assim mal conseguido). Talvez apenas pela época retratada ser praticamente a mesma, ou pelo facto do Luís Bernardo ser a cara chapada do Carlos da Maia. Não é que seja um mau romance, no verdadeiro sentido da palavra, mas não me venham dizer que é um clássico, que isso não é.


Até ao final do mês tenho 3 apresentações para fazer, 1 teste, 1 trabalho de grupo (não começado), 1 trabalho individual (praticamente feito) e 1 trabalho final de 15 a 20 páginas (também não começado). Por isso, as previsões são de trabalho árduo e clausura a tempo inteiro, com pausas para ir às aulas. Ou seja, vou trabalhar aqui num mês, o que não trabalhei em Lisboa durante 2 anos e meio. E, sim, é tudo em alemão, excepção feita à apresentação sobre «Os Maias» (versão pobre do século XXI). Perdão, sobre o «Equador».

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Dança do Quadrado


Isto é oficialmente das coisas mais imbecis que tive o prazer de ver. Não consegui deixar de partilhar. Há gente com demasiado tempo livre. E isso é hilariante!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Weather forecast



Vá, queixem-se mais da descida de temperatura em Portugal. Váááá...

Luxos

Hoje fui às compras e trouxe uma garrafa de Ice Tea de limão para beber ao jantar. Um luxo!...


Nos entretantos descobri que não vou resistir a este mês. O trabalho é muito e o tempo é pouco. E o alemão não chega para tanto. Vou ali para o canto chorar, sim? (Porra, devia ter ido para Espanha ou coisa que o valha!...)

domingo, 31 de maio de 2009

Problemas Domésticos

Uma das lâmpadas da minha cozinha está a dar o berro. Sinto-me numa discoteca de cada vez que lá vou.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Erasmus Soulmate

A Sara é portuguesa e também mora com uma chinesa.
Vem de Braga e traz sotaque do Norte. 
Não é de grandes meninices nem outras mariquices. 
Estuda Línguas Aplicadas, sem coisas culturais associadas.
Trouxe-me arroz Cigala, rissóis e pastéis de bacalhau quando foi a casa.
Foi-me buscar à estação de comboio quando voltei de casa.
Foi comigo à feira e deu-me um SpongeBob!
Parva! Em vez do magnífico carro de corrida, ganhou um peluche, de nome Pilinhas.
Foi jantar fora comigo ao Sr. Miguel.
A Sara é a menina de conversas a fio sobre namoros que sobrevivem graças à internet.
Ela percebe a angústia de frases que soam a "despacha" e afins.
Também tem saudades de comer peixe fresco.
É viciada em café.
É doida: está a fazer ainda mais uma cadeira que eu (9 no total).
A Sara ajuda-me quando não percebo alemão e corrige os meus trabalhos.
Vai comigo às compras quando preciso e mostra-me iogurtes de chocolate bons.
Gosta das mesma roupa que eu, mas em cores diferentes.
Também lhe apetece chorar com os preços alemães de vez em quando.
Andou na Roda Gigante comigo.
Ouve as mesmas coisas que eu e partilha paixões musicais de adolescência.
Está sempre a refilar comigo porque não ando sempre de máquina fotográfica atrás.
Vai ter comigo depois das aulas.
Sabe dançar como deve ser.
Goza comigo quando estou a precisar.
Diz coisas como "estrujido" em vez de "refogado", "pelei-me" em vez de "queimei-me" ou "sapatilhas" em vez de "ténis".
Vai comigo passear a Londres e Itália.

A Sara é fixe.
Gosto da Sara.
E é só isso.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Acordar Lisboa que a madrugada não espera por nós. O dia não se levanta muito cedo para que os sonhos durem mais tempo. Somos quatro a amar naquele pedaço de mundo. Eu, tu, o rio e a cidade. 

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Problemas linguísticos

Além da gramática e do vocabulário, outra das coisas que complica o "Deutsch sprechen" é a pronúncia. Para que conste, eu tenho um sotaque francês quando falo alemão. Ainda assim, não tão mau quanto o dos franceses. Mas está a melhorar. Ainda assim, de vez em quando, sou obrigada a travar algumas batalhas com determinadas palavras. Será que amanhã vou conseguir dizer direitos de autor sem dizer o equivalente a vadia/galdéria/p**a na minha apresentação? Espero realmente que sim!

die Urheberrecht (direitos de autor)
die Hure (vadia/galdéria/p**a)

sábado, 23 de maio de 2009

Canção #7

Se não matas a saudade
Quando morres de vontade
De pôr à saudade fim
É talvez porque preferes
Ter da saudade o que queres
E não me pedes a mim

É talvez porque preferes
Ter da saudade o que queres
Mas não me pedes a mim

A saudade em que me deixas
É penhor das tuas queixas
Por não dizeres a verdade
Bastava que me pedisses
De cada vez que me visses
O que pedes à saudade

Bastava que me pedisses
De cada vez que me visses
O que pedes à saudade

O que dás, se me não vês
Não consigo que me dês
Por timidez ou vaidade
E a saudade que vais tendo
Com ela vives, morrendo
Pr'a me matares de saudade

E a saudade que vais tendo
Com ela vives, morrendo
Pr'a me matares de saudade

Talvez seja o que tu queres
E é por isso que preferes
A saudade em vez de mim
Morrendo os dois de saudade
Temos toda a eternidade
Pr'a pôr à saudade fim

Morrendo os dois de saudade
Temos toda a eternidade
Pr'a pôr à saudade fim

Camané - Ciúme da Saudade

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nunca vamos saber amar por palavras, mas há verbos que não merecem tanto silêncio. E os ouvidos precisam de aprender que o som é sempre muito mais que amplitude e frequência.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Portugal

Aviso prévio: este post é grande e, provavelmente, desinteressante, pelo que não é aconselhado a pessoas com sonolência aguda ou nível de cansaço extremo.

Fui a Portugal em contra-relógio. 3 dias e meio e 4 noites para matar saudades. Ver a família (espalhada entre os dois lados dos Tejo, entre lados opostos da periferia de Lisboa, perdida algures na costa alentejana), ver os amigos (faculdade, Técnico). E, claro, aproveitar cada momento com o meu respectivo.

Cheguei a Faro a pensar no autocarro que ainda faltava apanhar para a minha Lisboa. Mochila às costas. Ir ao multibanco. Seguir caminho para dentro da cidade. Ou não. 9h15. Quando olhei, ela estava ali à minha frente, de abraço e sorriso preparados para me receber como se eu nunca tivesse ido para longe. Ela que não me podia ir buscar porque tinha uma aula importantíssima. Ela, a Inês, a melhor amiga do mundo. 

Voltar para cima, «As placas estão em português!», pôr a conversa em dia, mimos, sorrisos, beijinhos, parar na avó, música basof no carro, somos de Massamá, gargalhadas, portagens, 120 km/h, sentidos proibidos em Lisboa, Praça de Espanha, Campo Pequeno, abraço.
Obrigada.

Correr até Entrecampos. Ele estava lá à minha espera. Estou em casa. Sou a trapalhona de sempre, carteira esquecida no carro dela. Ir à faculdade. Tudo na mesma... Os sorrisos, os abraços, as vozes, as palhaçadas, a cumplicidade e a vontade de estarmos juntos. Tenho os melhores amigos do mundo! O meu Afilhado deu-me a t-shirt que lhe andava a namorar desde as praxes e daqueles abraços que não se esquecem. Clichés à parte, "longe mas sempre perto". Ir buscar a carteira, para visitar a primeira leva de família. Mãe, manos, tia, primos. Crianças irrequietas e adoravelmente endiabradas. Gosto de te ver brincar com eles. Não gosto de saber que eles crescem enquanto estou tão longe.

Quinta-feira. Acordar o mano maior, levar o pequeno à escola. Técnico, Rádio Zero. Esperar por quem disse que me queria ver e não chegou a aparecer. Mas os de sempre nunca falham, mesmo quando chegam atrasados. Segunda leva de família. A bisavó não se esqueceu de mim e perguntou logo se eu já estava de volta (101 anos!). Descobrir o passado e matar as saudades à pressa. Ir a casa trocar de roupa. Era capaz de jurar que a casa era de outro tamanho da última vez que lá estive. Terceira leva de família: pai, Maria, pseudo-irmã, prima. Português atrapalhado e gargalhadas à mesa. Gosto que estejas sempre ao meu lado. Espectáculo do Luís. O puto está a ficar crescido. Orgulho!

Voltar para uma casa que não é a minha, mas que me viu crescer nos últimos meses antes de vir. Afeiçoamo-nos a quem vive connosco, mesmo que não seja sempre. O meu espaço na cama ainda existe e continua a ser meu, como a almofada onde adormeci. Acordar com o teu despertador às 6h30 (disso não tinha saudades, pá!), e acordar depois em cima da hora. Tomar banho à pressa, lavar os dentes em conjunto. Pequeno-almoço. Come isso, pá! Vá, despacha-te. As brincadeiras e picardias não se perdem com a distância. Última leva de família: avós e tios, Melides. Robalo para o almoço - sou uma mimada! Sei que tenho a melhor família do mundo. 

Ir para o Algarve. E ser só tua no pouco tempo que restava. Sou feliz contigo.

Domingo de manhã. Levantar ainda antes da 6h. Não consigo dormir. Não quero ir embora. Gosto tanto de ti. Fazer a mala. Se eu não tivesse já pago os bilhetes... Mesmo de partida, tomas conta de mim: sandes na mochila. Aeroporto. Beijo. Abraço. As palavras que nunca chegam e o tempo que passa a correr. Ir embora. Até já...

Viagem interminável com direito a manifestação surpresa em Frankfurt: atrasos no comboio e mudanças de estação imprevistas. Cheguei a Leipzig com a Sara à minha espera e senti-me em casa, outra vez. Que mesmo na Alemanha, Portugal é a minha casa.



terça-feira, 12 de maio de 2009

Casa

Leipzig Hauptbahnhof - Frankfurt am Main Hauptbhanhof
Frankfurt am Main Hauptbhanhof - Frankfurt-Hahn Flughafen
Frankfurt-Hahn Flughafen - Aeroporto de Faro
Aeroporto de Faro - Terminal de Autocarros de Faro
Terminal de Autocarros de Faro - Terminal de Autocarros de Lisboa (Sete Rios)

Partida: 19h15
Chegada: 14h15

Até já! 

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vortrag

Quem me conhece bem, sabe que prefiro uma apresentação a um teste escrito. Não há nervosismo, nem incertezas. Sou só eu e o público. Sem canetas ou folhas pelo meio, as palavras fluem e a magia acontece. Como é óbvio, aqui as palavras não fluem. Tem de estar tudo bem escrito, e nada sai de improviso, para não correr o risco de aniquilar a língua-mãe da audiência. Não gosto de me sentir presa às letras alinhadas no papel. Estou nervosa. O meu sotaque é péssimo. A minha apresentação está mais pequena do que a dos meus colegas. O meu alemão é tão básico. Porcaria mais a minha falta de vocabulário. Só espero que não façam perguntas. Vai correr tudo bem, vai correr tudo bem. Merda. Vai correr tudo mal. É a minha vez. Viagem pelo site: clickar, mostrar, explicar. Leio as minha folhinhas com calma e acrescento um ou outro ponto. Já está. Alguém tem perguntas? Pânico! Por favor, não tenham. O menino lá do fundo tem uma. Porra! Consegui perceber a pergunta. Sabia a resposta. Consegui responder sem me atrapalhar demasiado. No final, correu tudo bem. 


sexta-feira, 1 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Corvos e Gaivotas

Sempre gostei do corvo que mora ao pé da casa dos meus avós. Ali mesmo, ao pé dos campos de arroz e da praia, onde tudo é verde, Verão e felicidade, mora um corvo sisudo. Gostava dele porque era diferente. Não era como as rolas nem como as gaivotas, sempre em alvoroço. O corvo que mora ao pé do meu avô canta só quando achava que tinha motivos para isso. E, talvez apenas por estar sozinho, nem tem muita vez. Mas, quando canta, todo o campo fica a ouvir, e eu também. 
O que eu sempre achei estranho era o facto do corvo viver sozinho. Verdade seja dita, tirando aquele cantinho de terra, nunca mais encontrei um corvo fora do Jardim Zoológico e afins. Pelo que acabei por acreditar que os corvos estavam em vias de extinção. Portugal é terra de pombos, pardais, rouxinóis, andorinhas, rolas, gaivotas. Não há assim muitos corvos no meio desta passarada toda. Podemos estar a 10km do mar, mas há sempre a eventualidade de passar uma gaivota, que nos lembra sempre que 10km não é assim tanto. Confesso que aquele grasnar da gaivota me irrita um bocado. É demasiado alarido para meu gosto. A gaivota gosta de dar barraca e eu às vezes não tenho paciência para isso. Até porque eu sei que o mar está já ali.
Mas aqui não está. Aliás, nem sei onde é o mar mais perto deste sítio onde estou. E por isso não há gaivotas, nem os corvos moram sozinhos. São barulhentos. Não são tímidos como o que mora ao pé do meu avô. Os corvos são as gaivotas da Alemanha. Talvez por isso me lembre tanto do mar quando os ouço grasnar.

sábado, 25 de abril de 2009

A música do meu Erasmus...

"Deine Eltern sind auf einem Tennisturnier
Du machst eine Party,wie nett von dir
Impulsive Menschen kennen keine Grenzen
Schmeiß die Möbel aus dem Fenster
wir brauchen Platz zum Dancen

Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi

Ein bisschen Gold und Silber
Ein bisschen Glitzer Glitzer
Habt ihr nichts zum Fressen hier
Ich will Pizza
Deine Mutter hat gesagt 
"Tragt nicht soviel Dreck rein"
Auf dem Foto in der Küche 
sieht sie aus wie Katja Ebstein

Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi

Wir tanzen auf den Tischen
Die Stimmung ist beschissen
Ich will nackt sein
Im Pool kann man sich erfrischen
Die Boxen von deinem Vater
nehme ich mit in die Sauna
Ich mache einen aufguss mit der Hausbar
Und dann dreh ich lauter

Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi

Ey spießt mal nicht so rum, ey
Wir wollen nur was erleben
Privat bei reichen Eltern,
was kann es schöneres geben."

terça-feira, 21 de abril de 2009

Lisboa

Nunca nos atrasávamos, quando chegava a hora de nos encontrarmos. 1 e meia da tarde, Alameda. 10 da manhã, Cais do Sodré. 6 da tarde, Sete Rios. 2 da tarde, Entrecampos. Tempo contado ao segundo, pelos comboios que tínhamos de apanhar de volta. Lembro-me de rasgar Lisboa de mãos dadas contigo. Desbravámos cada pedra da calçada, enquanto nos ensinámos um ao outro. Os fados e as lojas do costume eram sempre novidade, como os bancos em que nos sentámos a olhar para o rio. Lanches, noites e dias sem hora marcada para a despedida.

Tenho saudades de te aprender num abraço perdido, numa qualquer estação de Metro. 

Ainda existe Lisboa para nós, meu amor?

domingo, 19 de abril de 2009

Dia #40

Somos os hábitos que criamos: não fazer a cama, secar o cabelo, pôr as chaves na bolsa da mochila, ir até à paragem pelo lado esquerdo da rua, escrever à pressa no caderno bonito, apontamentos em alemão, passar a limpo para o dossier, fazer os trabalhos de casa, ir ao parque, passear pelo centro da cidade, fazer a comida, sair duas ou três noites seguidas, dormir a sesta, lavar a loiça, ir às aulas e acordar tarde. Preguiça. As pessoas acabam por ser quase sempre as mesmas e estamos bem assim.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Alguém me explica...

....como é possível acordar bem-disposta, quando a primeira coisa que ouço (initerruptamente durante 2 horas) é Enya?!

domingo, 12 de abril de 2009

Ainda

Fecha mais uma das tuas caixas de cartão, e junta-a às outras todas, cheias de dias magoados. Não sei se ainda te lembras de mim, mas continuo aqui: sentada neste canto da casa, à espera que me digas para ir para ao pé de ti. Continuo a segurar o cesto das molas: quero ajudar-te a estender a roupa. Gostava de me sentir importante, mesmo que esteja só no chão da cozinha a dar-te o número de molas que precisas. Mas eu já não tenho vestidos com mangas de balão, nem uso fitas todos os dias. Quando me olho ao espelho, ainda me consigo ver, mas acho que tu já não. Olá! Estou aqui. Ainda sou a mesma pessoa. Ainda preciso que me compres um doce quando vais à mercearia. Ainda preciso que festejes o meu aniversário. Ainda preciso que me abraces quando não consigo parar de chorar. Ainda preciso que me ajudes a fazer a cama. Ainda preciso que me contes uma história antes de ir dormir. 
E preciso todos os dias, apesar de já saber ler sozinha.

sábado, 11 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dia #30 - Algarve

Não sei como, nem porquê, mas Leipzig cheira a Algarve no Verão (com menos 10ºC).

terça-feira, 7 de abril de 2009

Dia #28 - Preguiça

Sabia que seria inevitável: mais cedo ou mais tarde, ia estar uns quantos dias sem escrever. Não, não morri. Sou apenas preguiçosa. Random notes:

- parece que a primavera chegou realmente
- jogar à bola faz doer as pernas no final do dia
- jogar à bola faz doer os pés no final do dia
- jogar à bola dois dias seguidos faz doer as pernas e os pés no dia seguinte
- os inícios de tarde passados no parque começam a tornar-se hábitos
- o supermercado gigante de que me falaram afinal não é assim tão gigante, fiquei desiludida
- já fui à discoteca e adorei o modo aleatório como constroem a playlist
- os alemães (e as alemãs) cantam as músicas alemãs como se fossem o hino nacional
- os alemães (e as alemãs) dançam mal
- fiquei com a última vaga dos trampolins (yeay!)
- dá sempre jeito andar com um mapa na mala, sobretudo quando saímos à noite para lados da cidade que não conhecemos
- amanhã começo as aulas
- ontem saí
- hoje também vou sair


(A menina chama-se Amy, a bicicleta não sei)


Nota: A máquina de secar provavelmente engoliu a minha roupa, uma vez que está a trabalhar há mais de 1h30 e não há previsão para o final da festa. Sim, estou preocupada. MEDO!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O que custa mesmo são os sonhos que se deixam a meio do caminho e as saudades que se empilham nas prateleiras e se enchem de pó como se o futuro nunca fosse chegar. Continuo com o cabelo comprido, como tu gostas, e não emagreci nem engordei. Estou igual ao que era quando vim embora, para que não me estranhes quando voltar. Mesmo assim, desculpa, que houve coisas que não consegui estagnar. Os dias ficaram maiores mas a partilha, que já não existe, mantém-se inalterada. Ainda assim, o que tenho para ti aqui são só palavras. Isso e as canções que insistem em tocar, para que nunca deixe de saber que existes e estás longe. Nos entretantos, o sol continua a nascer todos os dias e eu passei a acordar mais cedo. Tropeço nos fusos horários trocados, para fingir que ainda dormes na almofada ao lado da minha. Mas a única almofada que se deita na cama onde durmo é a minha e eu sei que tu não vens. Porque, na verdade, estás só à espera que eu volte.

Dia #24 - Sol!

É oficial, a Primavera chegou a Leipzig. São 19.30 e estão 19ºC lá fora, a janela está aberta e andei de t-shirt a tarde toda. Parque gigante à porta de casa e nós a jogarmos à bola (marquei um golo e tudo!). Ir ao banco, comer um gelado no centro da cidade e encontrar a Mariza na Hauptbahnhof.






Hoje à noite, a festa é em casa da Mimi!