quarta-feira, 24 de junho de 2009

Paredes

Faltam 3 semanas e uns dias, menos de um mês. Foram 3 meses e quase meio, vão ser 4 meses e quase meio. A viagem está a chegar ao fim e eu nem dei conta de ver o tempo passar. Colei a saudade nas paredes do meu quarto, e uma placa a dizer Lisboa, para que nunca esquecesse o caminho. Invariavelmente, acabei por perceber que nunca esquecemos o caminho de volta ao que amamos. Mas descobri-me na ordem alemã e na chuva que, apesar de continuar a irritar, já não me incomoda assim tanto. Aprendi que os comboios não têm de fazer barulho e que uma cidade não tem de respirar caos, nem desarrumação. Aqui, a única coisa desarrumada é o meu quarto, porque é meu, porque quis que a minha cidade viesse comigo. Mas lá fora nunca dá para ver o Tejo, nem cheira a peixe fresco grelhado. O Castelo também não dorme por cima da colina, que aqui tudo é plano, e as árvores crescem espaçadas e ligeiras - amontoam-se: altas, verdes, frondosas. De vez em quando, lá aparece o sol para me lembrar que há coisas que não mudam assim tanto, mas essa mania que ele tem de acordar muito mais cedo aqui é só mais um eco da preguiça do meu Alentejo, onde a madrugada nasce 2 horas e meia mais tarde.






É que, no final do dia, as gargalhadas que ouço lá fora nunca são as que preciso de ouvir. Faltam os sorrisos e os abraços de sempre, a segurança de alguém que nos entende muito mais do que língua em que falamos.

5 comentários:

Inês disse...

=) [ ]

Tatiana Albino disse...

beijo na testa, pseudo-afilhada.

gosto destes textos de coração aberto*

Luís, o mano disse...

Cá te esperamos ;)

Skizo disse...

já tás de volta?
tão cedo?!
bolas..

Nefelibata disse...

tinhas o postal q te enviei na parede!!