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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

#22


Capicua - "Casa no Campo" from MPAGDP on Vimeo.

"Diz-me qual é o teu perfume favorito.
- Pão quente, terra molhada e manjerico."

Mergulhar em livros de ficção e de ciência atravessada entre as histórias, enquanto se mudam páginas digitais à velocidade da luz. A tinta é electrónica, mas, muito para lá das palavras, o amor ainda reina em formato analógico. E as frases mais bonitas entopem os servidores da humanidade que é gostar de alguém. Desculpa-me, o desenho dos laços que queremos atar nunca fica perfeito e, volta e meia, desemboca no malfadado "404 Error". Esta vida é uma selva, mas eu preciso de sopas e descanso. Quero uma casa no campo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

#10

"Quase gosto da vida que tenho." Sempre o quase. Agora, ali, escarrapachado na capa do livro que levava para casa. Sabia bem o que tinha nas mãos: a metáfora do seu dia-a-dia a querer transformar-se em verdade absoluta. 

- O emprego de sonho que, afinal, é um pesadelo.
- O ordenado que nunca chega para as contas miseráveis que entopem a caixa do correio.
- Os sacos de compras que nunca consegue transportar porque mora sozinha.
- O amor que teima em manter-se a não sei quantas milhas náuticas de distância.

Valiam-lhe sempre os livros de poesia. E, claro, aquela porra de dedicatória com que o Natal lhe entalara o miocárdio uma vez. Enquanto o Skype não fazia o computador apitar, o tempo contava-se pela quantidade de estrofes que lia. Nos intervalos disso, engolia refrões em loop. Os versos mastigados alimentavam a saudade do que estava para vir. Os separadores no browser dividiam-se entre imobiliárias e  dicas de relações perfeitas. Daquelas bem saudáveis, como uma dieta esforçada para caber no bikini, dignas de livros de auto-ajuda. O fitness emocional não vem do outros, vem de nós, ou pelo menos é o que nos tentam impingir. No meio disto tudo, continuava a comer pipocas. Bem salgadas, que os vinte anos não a deixam engordar, mas ela sabe que esse dia há-de chegar. Dezenas de actualizações depois, o estado de espírito mantinha-se intacto e o livro ainda não tinha desfolhado. A inércia do que está para acontecer tinha tomado conta de si e os fusos horários desfiavam-lhe as expectativas. Devagarinho, assim como quem não quer a coisa. Como se o ícone verde do telefonema em código binário pudesse mudar o título do livro. Perdão, este capítulo da sua vida.

Fotografia licenciada em Creative Commons por Ryan Fanshaw Photography

segunda-feira, 26 de março de 2012

#7

Dez euros e três livros novos prontos a colocar na prateleira. Ainda não estudei os alinhamentos cósmicos, pelo que a arrumação ainda é ligeiramente incerta. Enquanto o horário de Verão fizer transpirar Lisboa, pode ser que arranje uma estante nova, onde os romances e os livros técnicos convivam harmoniosamente. A poesia e os ensaios que sosseguem o ego: tem de haver espaço para todos. A ordem, prometo, não será aleatória, mas a importância não será um factor determinante. Afinal, até essa é relativa, variando de acordo com os meses e com os anos. Lapsos temporais à parte, acumulam-se frases de reconhecimento pessoal e auto-destruição. Os sonhos alimentam-se das palavras que devoramos e das narrativas que conseguimos absorver.

Fotografia licenciada em Creative Commons por Johanna.B

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sonhos como esquinas, como livros

Dobram-se e desdobram-se os sonhos como se fossem esquinas. Como se fossem os cantos de um livro demasiado lido para se guardar na prateleira. Mas nunca se viram as páginas, com medo do capítulo que vem a seguir. Fechar os olhos e fingir que não se sabe ler. Só porque não se quer.

"Lembro Novembro passado,
quando os dias eram curtos
e as noites de fado
rasgado, cantado, sentido.
No Deus que criámos
aprendemos a viver de cor, meu amor...
E agora, é hora e tudo fica por fazer.

Quero-te dizer mais uma vez que te amo,
talvez, te quero, te espero e desespero por ti,
e que isso só por si me chega p'ra viver,
mesmo quando só houver:
Silêncio...
Imenso..
e dor...
E pior, meu amor,
a lembrança que descansa:
os olhos teus nos meus..."

Pedro Abrunhosa - É Preciso Ter Calma

domingo, 15 de março de 2009

Dia #5 - Leipziger Büchmesse

Confesso que a chuva quase que me prendia em casa. Sim, contrariamente ao sol esplendoroso de Lisboa, aqui choveu o dia todo. Mas não podia ficar em casa, sobretudo dado que o 16 (o eléctrico que apanho aqui à porta) vai ter direitinho à Messegelände (o parque de exposições). Seria rídiculo. Por isso, lá fui eu. Primeiro pensamento quando cheguei: "ORA TOMA LÁ FIL!". 



Devo dizer que do lado direito há mais um edifício semelhante ao que podem ver do lado esquerdo. Não se iludam, isto é apenas a entrada. Como tal, foi por aquele pavilhão redondo que entrei. €6 de bilhete. Pelos vistos, isto não é o Parque Eduardo VII, o que significa que temos de pagar para olhar para as bancas. Ainda que não me possa queixar dos preços, já percebi que na Alemanha se paga tudo e mais alguma coisa, estilo companhia aérea de baixo custo. Enfim. Lá dentro, a feira ocupa todos os 4 pavilhões ligados ao redondinho. Cada um é maior que um equivalente da FIL, por isso, façam as vossas contas. Daí a possibilidade de poderem comprar bilhetes de 4 dias (quando vi essa possibilidade achei estranho, assim que entrei percebi). O redondinho também faz parte da festa e tem lá espaço de restauração, umas bancazitas e uns espaços para conferências e afins.



Ora vejamos, cada um dos pavilhões tem um determinado tema, embora o seu "recheio" não seja assim tão linear: há o pavilhão internacional, os das editoras "normais", e o dos livros para crianças e banda desenhada. Afinal, as pessoas mascaradas que andei a ver nos dias anteriores eram personagens de banda desenhada e não de videojogos. Parece que há um movimento cultural agressivo em volta da banda desenhada por estes lados. São fanáticos! Especialmente se estivermos a falar de Manga e Anime. De repente, senti-me no Japão. De novo, são fanáticos.


Logicamente, tinha de trazer qualquer coisa. Ainda procurei um Saramago em alemão, mas nada feito. Que até a Macedónia tinha uma banca, mas a Europa deve acabar em França (estamos a falar em termos literários, que encontrei muitos mapas da Madeira e do Algarve).  Apesar de ter feito um circuito não-aleatório por todos os pavilhões, seria impossível ter visto tudo em tão pouco tempo. Por isso já decidi que, no próximo ano, compro o bilhete dos 4 dias. Dado o meu fraco alemão, ainda pensei em trazer um "Der Zahir" do Paulo Coelho (se é fácil de ler em português, é fácil de ler em alemão!), mas depois comecei a pensar que nem em alemão vou querer ler aquilo. Mas, no meio dos montes e montes de livros (literalmente, sim, apesar de também estarem em mesa e prateleiras), encontrei um que me fez sentir em casa - "Nachtzug nach Lissabon" (qualquer coisa como "Comboio de noite para Lisboa"). Não custa nada tentar, não é?  Lembrei-me de que a rapariga que vinha ao meu lado no avião o vinha a ler e que a Estação do Rossio na capa me fez sentir mais perto de casa. Também comprei uma agenda, que não sei a quantas ando e não me posso perder em termos temporais. Estava marcada a €12,95, mas o senhor vendeu-me a €5, Messepreis (preço de feira)!


Ora toma lá, oh Feira do Livro de Lisboa! Meninos é o que vocês são!

sábado, 14 de março de 2009

Dia #4 - Passeatas

Conforme planeado, hoje fui passear, aproveitando o calor do dia mais quente desta e da próxima semana (12ºC, note-se).  Sandes e leite com chocolate dentro da mochila e lá fui eu. Primeira paragem: Völkerschlachtdenkmakl, um monumento em homenagem à Batalha de Leipzig que teve lugar em Outubro de 1813 e foi fundamental para a derrota de Napoleão. Incrivelmente, é o monumento mais alto da Europa, com 91 metros de altura. O lago, que supostamente reflecte o Völkerschlachtdenkmakl (hoje estava muito nublado para que isso acontecesse), simboliza as lágrimas e o sangue derramados durante a guerra contra o senhor Bonaparte. (Bonito, hein?)



Depois, resolvi voltar ao centro da cidade, desta vez com máquina. Voltei a ver pessoas mascaradas e percebi o fenómeno. Acontece que Leipzig é nerds, música e livros. De modo que,  de vez em quando, perdem a cabeça e vestem-se de elfos, trolls ou outras criaturas que tais, como se estivessem num videojogo, e passeiam-se alegremente pelas ruas. Nos entretantos, consegui comprar uma panelita e uma frigideira, seguindo os conselhos do Pedro, num dos vários centros comerciais estilo El Corte Inglés (mas mais pequenos) que existem dissimulados no meio das lojas "normais". Enfiei tudo na mochila e continuei a deambular pelas ruas. Já disse que Leipzig é música? É mesmo. Leipzig é Wagner, Bach e Mendelssohn. É um acordeonista aqui e um saxofonista acolá. É uma banda qualquer a tocar à frente de um centro comercial e uma criança a dançar.



E já que falamos em música, a ver se no próximo sábado não me esqueço de passar pela Thomas Kirche (a igreja do Tomás), para ouvir o mítico coro masculino. Sábado, pelas 15 horas. Não se esqueçam e apareçam por lá também.



Para finalizar, hoje descobri que a Feira do Livro cá do sítio acaba amanhã. É a segunda maior feira do livro da Alemanha e, obviamente, não posso faltar. Por isso, se por acaso precisarem de mim, já sabem onde me encontrar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Desafio

1. Agarrar o livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!!! Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6. Passar a 5 pessoas.

Ora, a Inês lançou-me este desafio, mas o livro que tinha mais perto de mim não tinha 161 páginas, tinha 154 (a título de curiosidade era o "Por que escrevo e Outros ensaios" do George Orwell), pelo que peguei no segundo mais próximo. 

"Pendurado no sobretudo, bem na esquadria da porta, Elias procura figurar o major a interrogá-la serenamente, em companhia."
in Balada da Praia dos Cães de José Cardoso Pires


Lanço o desafio à Rita, à Débora, ao Helder, ao Pedro e... à Maria João.