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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Paredes

Faltam 3 semanas e uns dias, menos de um mês. Foram 3 meses e quase meio, vão ser 4 meses e quase meio. A viagem está a chegar ao fim e eu nem dei conta de ver o tempo passar. Colei a saudade nas paredes do meu quarto, e uma placa a dizer Lisboa, para que nunca esquecesse o caminho. Invariavelmente, acabei por perceber que nunca esquecemos o caminho de volta ao que amamos. Mas descobri-me na ordem alemã e na chuva que, apesar de continuar a irritar, já não me incomoda assim tanto. Aprendi que os comboios não têm de fazer barulho e que uma cidade não tem de respirar caos, nem desarrumação. Aqui, a única coisa desarrumada é o meu quarto, porque é meu, porque quis que a minha cidade viesse comigo. Mas lá fora nunca dá para ver o Tejo, nem cheira a peixe fresco grelhado. O Castelo também não dorme por cima da colina, que aqui tudo é plano, e as árvores crescem espaçadas e ligeiras - amontoam-se: altas, verdes, frondosas. De vez em quando, lá aparece o sol para me lembrar que há coisas que não mudam assim tanto, mas essa mania que ele tem de acordar muito mais cedo aqui é só mais um eco da preguiça do meu Alentejo, onde a madrugada nasce 2 horas e meia mais tarde.






É que, no final do dia, as gargalhadas que ouço lá fora nunca são as que preciso de ouvir. Faltam os sorrisos e os abraços de sempre, a segurança de alguém que nos entende muito mais do que língua em que falamos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Lisboa

Nunca nos atrasávamos, quando chegava a hora de nos encontrarmos. 1 e meia da tarde, Alameda. 10 da manhã, Cais do Sodré. 6 da tarde, Sete Rios. 2 da tarde, Entrecampos. Tempo contado ao segundo, pelos comboios que tínhamos de apanhar de volta. Lembro-me de rasgar Lisboa de mãos dadas contigo. Desbravámos cada pedra da calçada, enquanto nos ensinámos um ao outro. Os fados e as lojas do costume eram sempre novidade, como os bancos em que nos sentámos a olhar para o rio. Lanches, noites e dias sem hora marcada para a despedida.

Tenho saudades de te aprender num abraço perdido, numa qualquer estação de Metro. 

Ainda existe Lisboa para nós, meu amor?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O que custa mesmo são os sonhos que se deixam a meio do caminho e as saudades que se empilham nas prateleiras e se enchem de pó como se o futuro nunca fosse chegar. Continuo com o cabelo comprido, como tu gostas, e não emagreci nem engordei. Estou igual ao que era quando vim embora, para que não me estranhes quando voltar. Mesmo assim, desculpa, que houve coisas que não consegui estagnar. Os dias ficaram maiores mas a partilha, que já não existe, mantém-se inalterada. Ainda assim, o que tenho para ti aqui são só palavras. Isso e as canções que insistem em tocar, para que nunca deixe de saber que existes e estás longe. Nos entretantos, o sol continua a nascer todos os dias e eu passei a acordar mais cedo. Tropeço nos fusos horários trocados, para fingir que ainda dormes na almofada ao lado da minha. Mas a única almofada que se deita na cama onde durmo é a minha e eu sei que tu não vens. Porque, na verdade, estás só à espera que eu volte.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O que nos mata são as saudades

Sempre.

Que um dia sem alguém que amamos parece uma eternidade. E ninguém substitui outra pessoa. Para quem ainda não reparou, este semestre tem sido uma bela merda. Quase todos os meus amigos estão de Erasmus e os poucos que cá ficaram mal põem o cú na faculdade. Já não há jantares, nem gargalhadas, nem conversas na esplanada sobre tudo e/ou sobre coisa nenhuma. Já não há vontade de ir à faculdade sequer. Porque não está lá pessoa alguma. Não vale a pena, portanto. E este dia dura já há 3 meses (mais que isso, até, se contarmos com as férias do Verão). O pior é que daqui a outros 3 vou eu embora, sem ter tempo de vos sentir ao meu lado de novo. Tenho saudades vossas e do mundo que construíamos a cada dia que passava. Tenho mesmo... Tantas tantas, que nunca caberiam no que sei ou consigo escrever aqui, nem sequer no que vos direi quando voltarem... Talvez apenas caiba nos abraços que vos fiquei a dever, para que voltassem um dia. Ou, se calhar, nem aí, que os meus braços são pequeninos, como eu...