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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Paredes

Faltam 3 semanas e uns dias, menos de um mês. Foram 3 meses e quase meio, vão ser 4 meses e quase meio. A viagem está a chegar ao fim e eu nem dei conta de ver o tempo passar. Colei a saudade nas paredes do meu quarto, e uma placa a dizer Lisboa, para que nunca esquecesse o caminho. Invariavelmente, acabei por perceber que nunca esquecemos o caminho de volta ao que amamos. Mas descobri-me na ordem alemã e na chuva que, apesar de continuar a irritar, já não me incomoda assim tanto. Aprendi que os comboios não têm de fazer barulho e que uma cidade não tem de respirar caos, nem desarrumação. Aqui, a única coisa desarrumada é o meu quarto, porque é meu, porque quis que a minha cidade viesse comigo. Mas lá fora nunca dá para ver o Tejo, nem cheira a peixe fresco grelhado. O Castelo também não dorme por cima da colina, que aqui tudo é plano, e as árvores crescem espaçadas e ligeiras - amontoam-se: altas, verdes, frondosas. De vez em quando, lá aparece o sol para me lembrar que há coisas que não mudam assim tanto, mas essa mania que ele tem de acordar muito mais cedo aqui é só mais um eco da preguiça do meu Alentejo, onde a madrugada nasce 2 horas e meia mais tarde.






É que, no final do dia, as gargalhadas que ouço lá fora nunca são as que preciso de ouvir. Faltam os sorrisos e os abraços de sempre, a segurança de alguém que nos entende muito mais do que língua em que falamos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Higiene Comparativa

Quando cheguei a Shan tinha a sua embalagem de detergente de lavar a loiça a meio. No entanto, o meu, que foi comprado na altura (há 3 meses), vai acabar primeiro.

Comprámos um gel de banho ao mesmo tempo. Mesma marca, mesma quantidade. O dela está a acabar agora, eu já estou a acabar o 2ºfrasco depois de ter acabado o tal.

Desde que cheguei já gastei 3 tubos de pasta de dentes. O dela nunca foi trocado.

Só vi a frigideira ser lavada 2 vezes. Com água fria.

Somos asseadas, portanto.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Só porque convém actualizar...

Fui passar o fim-de-semana a Berlin (brutal, Brutal, BRUTAL) com o Papá e com a Maria. Domingo à tarde viemos para Leipzig. 2ªfeira passeámos por aqui e ontem voltei às aulas. Hoje cheguei a casa e desintegrei-me de cansaço em cima da cama, que não durmo nada de jeito há umas 2 semanas, sendo que nos últimos dias andei quilómetros e quilómetros e subi mais degraus do que uma maratona de step.


Nos entretantos, comecei a a ler o «Equador» para a minha fantástica cadeira de literatura portuguesa leccionada em alemão. Vou na página 83 (são 518) e o que me apraz dizer neste momento é: ainda bem que o Miguel Sousa Tavares leu «Os Maias» algures durante a sua vida, já que me sinto a ler o segundo a cada palavra do primeiro. E por muito lisonjeiro que isso possa parecer, não é. Não que o senhor MST escreva mal, que não escreve, mas isto parece-me tão leve e previsível, e, ao mesmo tempo, tão desenhado à semelhança do querido Eça (num plágio de estilo demasiado notório e ainda assim mal conseguido). Talvez apenas pela época retratada ser praticamente a mesma, ou pelo facto do Luís Bernardo ser a cara chapada do Carlos da Maia. Não é que seja um mau romance, no verdadeiro sentido da palavra, mas não me venham dizer que é um clássico, que isso não é.


Até ao final do mês tenho 3 apresentações para fazer, 1 teste, 1 trabalho de grupo (não começado), 1 trabalho individual (praticamente feito) e 1 trabalho final de 15 a 20 páginas (também não começado). Por isso, as previsões são de trabalho árduo e clausura a tempo inteiro, com pausas para ir às aulas. Ou seja, vou trabalhar aqui num mês, o que não trabalhei em Lisboa durante 2 anos e meio. E, sim, é tudo em alemão, excepção feita à apresentação sobre «Os Maias» (versão pobre do século XXI). Perdão, sobre o «Equador».

terça-feira, 2 de junho de 2009

Weather forecast



Vá, queixem-se mais da descida de temperatura em Portugal. Váááá...

Luxos

Hoje fui às compras e trouxe uma garrafa de Ice Tea de limão para beber ao jantar. Um luxo!...


Nos entretantos descobri que não vou resistir a este mês. O trabalho é muito e o tempo é pouco. E o alemão não chega para tanto. Vou ali para o canto chorar, sim? (Porra, devia ter ido para Espanha ou coisa que o valha!...)

domingo, 31 de maio de 2009

Problemas Domésticos

Uma das lâmpadas da minha cozinha está a dar o berro. Sinto-me numa discoteca de cada vez que lá vou.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Erasmus Soulmate

A Sara é portuguesa e também mora com uma chinesa.
Vem de Braga e traz sotaque do Norte. 
Não é de grandes meninices nem outras mariquices. 
Estuda Línguas Aplicadas, sem coisas culturais associadas.
Trouxe-me arroz Cigala, rissóis e pastéis de bacalhau quando foi a casa.
Foi-me buscar à estação de comboio quando voltei de casa.
Foi comigo à feira e deu-me um SpongeBob!
Parva! Em vez do magnífico carro de corrida, ganhou um peluche, de nome Pilinhas.
Foi jantar fora comigo ao Sr. Miguel.
A Sara é a menina de conversas a fio sobre namoros que sobrevivem graças à internet.
Ela percebe a angústia de frases que soam a "despacha" e afins.
Também tem saudades de comer peixe fresco.
É viciada em café.
É doida: está a fazer ainda mais uma cadeira que eu (9 no total).
A Sara ajuda-me quando não percebo alemão e corrige os meus trabalhos.
Vai comigo às compras quando preciso e mostra-me iogurtes de chocolate bons.
Gosta das mesma roupa que eu, mas em cores diferentes.
Também lhe apetece chorar com os preços alemães de vez em quando.
Andou na Roda Gigante comigo.
Ouve as mesmas coisas que eu e partilha paixões musicais de adolescência.
Está sempre a refilar comigo porque não ando sempre de máquina fotográfica atrás.
Vai ter comigo depois das aulas.
Sabe dançar como deve ser.
Goza comigo quando estou a precisar.
Diz coisas como "estrujido" em vez de "refogado", "pelei-me" em vez de "queimei-me" ou "sapatilhas" em vez de "ténis".
Vai comigo passear a Londres e Itália.

A Sara é fixe.
Gosto da Sara.
E é só isso.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vortrag

Quem me conhece bem, sabe que prefiro uma apresentação a um teste escrito. Não há nervosismo, nem incertezas. Sou só eu e o público. Sem canetas ou folhas pelo meio, as palavras fluem e a magia acontece. Como é óbvio, aqui as palavras não fluem. Tem de estar tudo bem escrito, e nada sai de improviso, para não correr o risco de aniquilar a língua-mãe da audiência. Não gosto de me sentir presa às letras alinhadas no papel. Estou nervosa. O meu sotaque é péssimo. A minha apresentação está mais pequena do que a dos meus colegas. O meu alemão é tão básico. Porcaria mais a minha falta de vocabulário. Só espero que não façam perguntas. Vai correr tudo bem, vai correr tudo bem. Merda. Vai correr tudo mal. É a minha vez. Viagem pelo site: clickar, mostrar, explicar. Leio as minha folhinhas com calma e acrescento um ou outro ponto. Já está. Alguém tem perguntas? Pânico! Por favor, não tenham. O menino lá do fundo tem uma. Porra! Consegui perceber a pergunta. Sabia a resposta. Consegui responder sem me atrapalhar demasiado. No final, correu tudo bem. 


sexta-feira, 1 de maio de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

A música do meu Erasmus...

"Deine Eltern sind auf einem Tennisturnier
Du machst eine Party,wie nett von dir
Impulsive Menschen kennen keine Grenzen
Schmeiß die Möbel aus dem Fenster
wir brauchen Platz zum Dancen

Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi

Ein bisschen Gold und Silber
Ein bisschen Glitzer Glitzer
Habt ihr nichts zum Fressen hier
Ich will Pizza
Deine Mutter hat gesagt 
"Tragt nicht soviel Dreck rein"
Auf dem Foto in der Küche 
sieht sie aus wie Katja Ebstein

Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi

Wir tanzen auf den Tischen
Die Stimmung ist beschissen
Ich will nackt sein
Im Pool kann man sich erfrischen
Die Boxen von deinem Vater
nehme ich mit in die Sauna
Ich mache einen aufguss mit der Hausbar
Und dann dreh ich lauter

Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi
Yippie Yippie Yeah Yippie Yeah 
krawall und Remmidemmi

Ey spießt mal nicht so rum, ey
Wir wollen nur was erleben
Privat bei reichen Eltern,
was kann es schöneres geben."

domingo, 19 de abril de 2009

Dia #40

Somos os hábitos que criamos: não fazer a cama, secar o cabelo, pôr as chaves na bolsa da mochila, ir até à paragem pelo lado esquerdo da rua, escrever à pressa no caderno bonito, apontamentos em alemão, passar a limpo para o dossier, fazer os trabalhos de casa, ir ao parque, passear pelo centro da cidade, fazer a comida, sair duas ou três noites seguidas, dormir a sesta, lavar a loiça, ir às aulas e acordar tarde. Preguiça. As pessoas acabam por ser quase sempre as mesmas e estamos bem assim.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Alguém me explica...

....como é possível acordar bem-disposta, quando a primeira coisa que ouço (initerruptamente durante 2 horas) é Enya?!

sábado, 11 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Dia #28 - Preguiça

Sabia que seria inevitável: mais cedo ou mais tarde, ia estar uns quantos dias sem escrever. Não, não morri. Sou apenas preguiçosa. Random notes:

- parece que a primavera chegou realmente
- jogar à bola faz doer as pernas no final do dia
- jogar à bola faz doer os pés no final do dia
- jogar à bola dois dias seguidos faz doer as pernas e os pés no dia seguinte
- os inícios de tarde passados no parque começam a tornar-se hábitos
- o supermercado gigante de que me falaram afinal não é assim tão gigante, fiquei desiludida
- já fui à discoteca e adorei o modo aleatório como constroem a playlist
- os alemães (e as alemãs) cantam as músicas alemãs como se fossem o hino nacional
- os alemães (e as alemãs) dançam mal
- fiquei com a última vaga dos trampolins (yeay!)
- dá sempre jeito andar com um mapa na mala, sobretudo quando saímos à noite para lados da cidade que não conhecemos
- amanhã começo as aulas
- ontem saí
- hoje também vou sair


(A menina chama-se Amy, a bicicleta não sei)


Nota: A máquina de secar provavelmente engoliu a minha roupa, uma vez que está a trabalhar há mais de 1h30 e não há previsão para o final da festa. Sim, estou preocupada. MEDO!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dia #24 - Sol!

É oficial, a Primavera chegou a Leipzig. São 19.30 e estão 19ºC lá fora, a janela está aberta e andei de t-shirt a tarde toda. Parque gigante à porta de casa e nós a jogarmos à bola (marquei um golo e tudo!). Ir ao banco, comer um gelado no centro da cidade e encontrar a Mariza na Hauptbahnhof.






Hoje à noite, a festa é em casa da Mimi! 

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia #22 - Rewe

1 lata grande de milho
1 lata grande de cogumelos
2 litros de leite
4 iogurtes de morango
4 rolos de papel higiénico

€4,54

E não, não é mentira. Já disse que se vive bem na Alemanha? Gott segnet Rewe!

terça-feira, 31 de março de 2009

Dia #21

De manhã, estava frio. Depois de almoço, os meus pés arderam. Por isso, desculpa Papá, mas teve de ser: a Primavera chegou, e a amplitude térmica é uma coisa lixada. 10 euros (que gosto cá pouco de subversões capitalistas).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Vizinhança

Adoro a subtileza com que o meu vizinho de cima aumenta a música uns 20 decibéis de cada vez que faz O amor. E mesmo assim ouve-se quase como se estivesse aqui ao lado. De qualquer das formas, ainda estou a tentar decidir se prefiro ouvi-lo com a respectiva moça, ou as sessões de Ópera que ele faz questão de dar de vez em quando, por volta da hora de jantar...