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terça-feira, 19 de outubro de 2010

#200

Nos entretantos, aqui o cantinho já ultrapassou a marca dos dois anos. Melhor ou pior, foi algo que tentei estimar e manter com algum carinho, mesmo quando não me apeteceu. Houve meses em que isto serviu de montra pessoal, para colmatar a distância a que estava do meu próprio mundo; na maioria das vezes, serviu apenas para colar alguns textos e meia dúzia de desabafos. Mas a decisão de abrir o estaminé veio numa altura boa, em que passei a escrever quando estava feliz, e não para exorcizar o que me ficava por dizer. (Usar bem as palavras no papel nunca foi sinónimo de as usar bem com a voz.) Era a primeira vez que me acontecia isso. E fazia sentido.

Dois anos, um mês e dez dias depois do início, a retrospectiva é inevitável. Muitas das certezas que fui construindo ficaram pelo caminho, mas outras mantiveram-se. Tropecei muitas vezes nos meus próprios erros, mas dediquei-me de coração a (quase) tudo o que me propus. E agora que há dias em que o sorriso custa a nascer, aparece sempre alguém que ainda o sabe desenhar na minha cara. Os alicerces de outros tempos mantêm-se intactos, mesmo que parte do meu universo tenha desabado. Mas, ao ducentésimo post, parece que já existe a consciência de que há aqui um retrato da minha pessoa. Incompleto, sim. Mas, como alguém me disse um dia, somos as narrativas que construímos - seja de nós para os outros, ou mesmo de nós para nós. O que importa é a história que imprimimos na vida de quem está ao nosso lado. E a maneira como o fazemos, claro. Há gostos para tudo: os que lêem só um capítulo (ou nem isso), os que lêem o livro apenas uma vez para depois o arrumarem na prateleira como prova do esforço heróico que fizeram para chegar ao fim, e os que guardam o livro em cima da mesa de cabeceira para que o possam ler sempre que quiserem. Os finais felizes, esses, dependem unicamente de quem nos interpreta.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tropeções...

Cansada. Ligeiramente desmotivada por entre recortes de sonhos que vão ficar pelo caminho (mesmo que seja só por agora). O meu telemóvel tira fotografias bonitas e sou eu que carrego no botão. Ainda ouço música boa, mas começo a ter demasiados guilty pleasures. Ainda gosto de ti, mas tu não queres nada comigo. Recomeçar a demanda de enviar currículos para todo o lado. Quero um ordenado. Quero uma casa só para mim. Uma hora e meia para chegar a casa. O barco partiu. Duas horas para chegar a casa. Sossego. Quero um fim-de-semana só para nós. Lembras-te das coisas simples da vida? É só isso: miminhos. Puntz puntz puntz. MP3 sem bateria e sem espaço para o que quero ouvir hoje. Não sei o que quero ouvir hoje. Estúdio, microfone, rádio. A minha voz a sair de uma coluna qualquer. Hoje não, nem amanhã, nem sequer depois de amanhã. Está quase a acabar. Ainda falta tanto, ainda nem sequer comecei. Estou a ficar pelo caminho sem dar conta. É preciso dar mais, é preciso dar mais, é preciso dar mais. Sempre mais, mesmo que já não exista mais nada para dar. Já falta pouco para acabar. Recomeçar do zero. Inteligência, trabalho, vontade. O amor pelo que sabemos ser nosso não se perde, mas ficou algures lá para trás. Já posso chorar? É só um bocadinho. No fim levanto-me e vou-me embora. Prometo.



segunda-feira, 29 de junho de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Realize

Há dias que nos fazem tropeçar na vida com mais força. Damos a mão a alguém e mergulhamos de cabeça sem darmos conta. Os sonhos esquecidos de sempre entraram no ecoponto e saíram de lá como novos. O rádio, no carro, cospe uma canção daquelas: igual a todas as outras que passaram nessa manhã. Mas a menina que canta diz que são perfeitos um para o outro e ela acredita. Só porque o sorriso dele a aquece por dentro. E a verdade é que isso chega, isso e toda a ternura com que ele existe para ela, ainda que nunca lhe diga o quanto a quer. Que as palavras não são tudo, e ela sabe, só os arrepios que o atravessam quando ela diz que o ama.