segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Festival NetaudioLX - Call For Entries
O primeiro festival de netaudio de Lisboa, com financiamento aprovado ao abrigo do Orçamento Participativo da CML vai mesmo avançar. Assim sendo, o NetaudioLX tem data marcada para os dias 14, 15 e 16 de Abril de 2011 e terá lugar no Cinema S.Jorge.
O Call For Entries está, então, de pé. Enviem as vossas propostas para as várias modalidades até ao dia 20 de Janeiro.
Feira de Netaudio - deverá decorrer durante os vários dias de festival. Cada netlabel terá uma banca de exposição onde poderão mostrar o vosso catálogo, bem como vender merchandising - por exemplo. As ideias são infinitas e ficam ao agrado de cada um. Para garantirem o vosso lugar, deverão enviar um mail para netaudiolx [at] gmail.com , iniciando o subject com [Feira NetaudioLX]
Artistas – será assegurado um cachet, bem como as despesas de transportes e alimentação. A actuação será realizada numa das noites do evento, em palco misto: nacional e internacional. Enviem as vossas propostas através da Dropbox do festival no Soundcloud, ou via PearlTrees.
Papers, Conferências, Mesas Redondas, Workshops e Afins – estas actividades deverão decorrer durante os vários dias do festival. As propostas devem ser enviadas para o mail netaudiolx [at] gmail.com , iniciando o subject com [OpenMic], ou submetidas através do PearlTrees.
domingo, 12 de dezembro de 2010
O Natal é ali
Havia sempre o peso do Outono e do Inverno. Quando a chuva chegava, os sonhos diluíam-se no cheiro da cidade molhada, mesmo que a vida sorrisse, e sabia que o Natal era já ali. Assim que o cimento e o alcatrão deixavam de ver o sol, não havia amor que conseguisse arrastar a melancolia para longe do meu quarto. Mas este ano parece que o Inverno ainda não aterrou por aqui. Mesmo quando são cinzentas, as nuvens nunca pesam mais do que algodão. Compro uma dúzia de castanhas bem assadas e volto a saltar nas poças sem medo de sujar a roupa. E o Natal continua a ser ali.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Mudam-se os tempos...
Mudam-se as vontades. Que aquilo que precisamos afinal só depende do que vivemos antes e do que queremos viver depois. Os sonhos de sempre esborracham-se de novo na minha janela e dizem-me para acreditar, porque desta vez é que é a sério. Que as coincidências são muito mais do que o cérebro faz parecer. Simetrias que se desenham no tempo e no espaço e personalidades que se sabem ler.
Shiu...
Não é preciso dizer mais nada. Não há expectativas nem pressões. Uma garrafa de whisky, um jantar a dois e canções para a sobremesa. Ritmos e melodias. Texturas e notas que se encaixam umas nas outras como se estivessem apaixonadas. A menina dança? Sempre quis ter alguém que dançasse comigo. Falamos por cima da música, mesmo que a música fale por nós, para que não fique nada por dizer nos intervalos do som. A cabeça que se encosta no ombro, a mão na cintura/a mão no ombro e os dedos que se entrelaçam devagar. "Dançar é chamar corpo ao pensamento, é ir atrás do mar quando o mar vem atrás de nós..." Se quiseres, dançamos a noite toda. Se quiseres, dançamos a vida inteira.
É o se, é o se, é o se... é um encolher de ombros infinito... É mudar uma vírgula para fazermos uma frase nova...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Intermitente
E depois há aqueles dias intermitentes, em que o coração liga e desliga conforme lhe apetece. Quero percorrer esta estrada, mas tenho sempre medo do que ficou para trás. Não cometer os mesmo erros. As pessoas não são todas iguais. Era verdade. Era mentira. Agora, também já não interessa. Tomar um banho e esquecer que o cheiro do Outono traz sempre demasiadas recordações atreladas. Para a frente é o caminho.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Fado
Eu e tu na voz de alguém que dobra as esquinas da poesia como se respirasse em verso. Já tinha saudades desta nossa paixão de olhos fechados e páginas por ler, do teu cheiro a noites de inverno e tardes de verão em Lisboa, do que fazes tremer cá dentro quando falas para mim. Andámos fugidios e desencontrados, mas apaixonei-me por ti outra vez. Duas vezes em simultâneo. Eu e tu, sozinhos, enquanto ressoas pelo meu quarto, com o volume no máximo. Ainda bem que voltaste a bater à minha porta, querido Fado.
domingo, 24 de outubro de 2010
Inspiração publicitária...
"Um dia, o mais provável é tornares-te um chato, deixares de sair à noite e levar-te demasiado a sério. Nesse dia, vais começar a vestir cinzento e bege, pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra a apanhar pó. Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluído, economicamente consciente. Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias. Nesse dia, vais deixar de beijar em público, as tuas viagens serão mais vezes no sofá e dormirás menos vezes ao relento. É oficial. Vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então. Vais deixar de te sentar ao colo dos amigos e vais esquecer-te como se faz um quantos-queres ou um barco de papel. Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de quatro em quatro anos e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio e hidratado rosto. Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada e a não fazer nada porque "vai-se andando" e a vida é mesmo assim. Vais dizer não mais vezes, vais ter mais medo, vais achar que não podes, que não deves, que tens vergonha.
Vais ser mais triste. (...)
Aqui fica uma ideia: quando esse dia chegar, não lhe fales."
terça-feira, 19 de outubro de 2010
#200
Nos entretantos, aqui o cantinho já ultrapassou a marca dos dois anos. Melhor ou pior, foi algo que tentei estimar e manter com algum carinho, mesmo quando não me apeteceu. Houve meses em que isto serviu de montra pessoal, para colmatar a distância a que estava do meu próprio mundo; na maioria das vezes, serviu apenas para colar alguns textos e meia dúzia de desabafos. Mas a decisão de abrir o estaminé veio numa altura boa, em que passei a escrever quando estava feliz, e não para exorcizar o que me ficava por dizer. (Usar bem as palavras no papel nunca foi sinónimo de as usar bem com a voz.) Era a primeira vez que me acontecia isso. E fazia sentido.
Dois anos, um mês e dez dias depois do início, a retrospectiva é inevitável. Muitas das certezas que fui construindo ficaram pelo caminho, mas outras mantiveram-se. Tropecei muitas vezes nos meus próprios erros, mas dediquei-me de coração a (quase) tudo o que me propus. E agora que há dias em que o sorriso custa a nascer, aparece sempre alguém que ainda o sabe desenhar na minha cara. Os alicerces de outros tempos mantêm-se intactos, mesmo que parte do meu universo tenha desabado. Mas, ao ducentésimo post, parece que já existe a consciência de que há aqui um retrato da minha pessoa. Incompleto, sim. Mas, como alguém me disse um dia, somos as narrativas que construímos - seja de nós para os outros, ou mesmo de nós para nós. O que importa é a história que imprimimos na vida de quem está ao nosso lado. E a maneira como o fazemos, claro. Há gostos para tudo: os que lêem só um capítulo (ou nem isso), os que lêem o livro apenas uma vez para depois o arrumarem na prateleira como prova do esforço heróico que fizeram para chegar ao fim, e os que guardam o livro em cima da mesa de cabeceira para que o possam ler sempre que quiserem. Os finais felizes, esses, dependem unicamente de quem nos interpreta.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Faz de conta
Faz de conta que é tudo perfeito. Que os amigos serão sempre amigos e estão lá sempre para nós. Faz de conta que os amigos mais antigos são sempre os que nos apoiam mais e nos retribuem tudo o que demos por eles. Faz de conta que ninguém nos aldraba. Faz de conta que quando nos magoam a sério, deixamos de gostar da pessoa. Faz de conta que não se partilharam conversas nem segredos e que tudo o que se construiu foi apenas uma ilusão. Faz de conta que se pode perdoar tudo. Faz de conta que a mentira não dói.
Faz de conta...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Canção #12
“Pode ser difícil, mas é tão bom,
Quando se consegue afinar num tom..
Quando tudo rola, sabe tão bem...
Quando estás em sintonia com alguém...
Sei como é difícil compartilhar a vida com quem não quer compartimentar a sua
Não quero desmantelar a tua..
Entende que só posso acreditar na minha fé,
que é mesmo esta a minha missão:
sacrifício e total absolvição de pecados cometidos para com a união,
talvez sejam alguns, mas, juro, não é traição.
É complicado manter na relação um estado de equilíbrio estabilizado,
quando crio estou fechado em mim próprio,
gravo no estúdio enclausurado
e quando toco vou para fora só me vês um dia passado.
Chego vazio física e mentalmente
dou tudo no palco (não consigo ser diferente)
chego cansado de falar com tanta gente
Sou bicho de buraco, sabes o que o teu homem sente...
Pode ser difícil, mas é tão bom,
Quando se consegue afinar num tom..
Quando tudo rola, sabe tão bem...
Quando estás em sintonia com alguém...
É verdade o que me dizes: tenho uma existência dupla entre ti e a música,
mas ouve – Tu é que és a Musa!
Apaixonei-me há muito tempo por esta arte,
mas praticá-la não seria o mesmo sem ti para apreciar-me.
Sinceramente, eu próprio não sei se aturaria alguém com a minha sina,
não sei se aguentaria,
sei bem quem escolhi, sei bem como és especial.
Quanto a mim, fui escolhido pela vida musical.
Pois é, já sei, outra vez a mesma história:
tu chegas, eu saio,
às vezes é um problema, quando o tempo que temos nunca chega,
mas aquilo que partilhamos é tão bom que compensa tudo.
Tudo faço pelo teu sorriso
não quero só vê-lo por acaso.
Quero que saibas que sempre que digo que continuo do teu lado é porque o sinto.
Assim mesmo, e sou sincero,
foi difícil chegar até este entendimento..
Tivemos mais do que uma fase complicada,
porque quando precisas de mim por casa
ando pela estrada
ou a trabalhar uma música no estúdio e num ensaio a noite toda...
Ainda bem que me aceitas desta forma,
ainda bem que te tenho nesta jornada.
E o contrário também acontece, sem dúvida,
quando a tua vida profissional te mantém ocupada
és alguém que em qualquer momento tudo ultrapassaria
e gostaria da tua companhia durante o dia..
E sei que é possível,
ainda mais agradável,
um futuro estável mas com um número razoável de novos desafios pela frente, claro
com a pessoa correspondente – eu junto.”
Mind Da Gap - Sintonia
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